sophia

amo
quando ela me ensina.
seus olhos brilham,
quais de uma menina.
ela discorre com a riqueza de um romance
sobre as mais peculiares
belezas da provence.
sinto o perfume
de cada palavra sua.
e a percebo
distraidamente
nua.
despida, por meros instantes
da armadura, do escudo.
agora, desimportantes.
amo,
quando ela me ensina.
ou quando me conta a sua vida
pregressa
de bailarina.
escuto atento
como sedento,
que precisa beber na sua fonte
de conhecimento.
ela me diz as coisas de
michel foucault
com a mesma intimidade
com que fala do avô.
e como eu amo
escutá-la!
meu peito se enche de força,
quando ela fala.
uvas, vinhos, sabores.
amo
quando ela me ensina.
seus dizeres, meus prazeres.
seu saber,
que ilumina.
quero abraçá-la.
quero beijá-la.
protegê-la.
e quero ser por toda a vida,
o seu melhor amigo.
não sei se ela deixa.
não sei se consigo.

ainda há pontes não construídas.
tomara, se forem um dia,
que liguem as nossas vidas.
em uma só poesia.

hoje escutei tua voz

hoje escutei tua voz.
e isso me basta.
é a força imensurável
que me arrasta,
que me empurra
toda vez que você fala,
canta,
ou sussurra.

me faz tão bem
me encanta,
me renova.
e me mantém.

hoje escutei tua voz.
dia de sorte.
perdi meu medo.
encontrei meu norte.
atendi vazio,
desliguei mais forte.

o dia ficou mais bonito.
e tirei da gaveta
com a minha caneta
a perspectiva do infinito.

escrevo, de novo,
versos, estrofes. e trovas.
palavras em forma de provas
de uma liberdade
irrevogável.

mão, que pertenceu à algema
transforma tinta
em poema.
solta.

livre da saudade,
o mais terrível,
o mas temível
algoz.
a vida volta a ser linda.
porque escutei tua voz.