lindíssima lua. tão clara
ilumina a minha alma
e enche meu peito de calma.
como o sorriso de Lara.
lindíssima lua. tão bela
toma a noite e irradia,
enche o céu com a poesia
do brilho dos olhos dela.
lindíssima lua. tão clara
ilumina a minha alma
e enche meu peito de calma.
como o sorriso de Lara.
lindíssima lua. tão bela
toma a noite e irradia,
enche o céu com a poesia
do brilho dos olhos dela.
tocou, ainda agora, aquela canção.
te trouxe a mim, assim, por meus ouvidos
e ecoou no meu oco coração.
parou para parir novos sentidos.
repetindo, de repente, seu refrão
traí versos que trago, retraídos.
escancarei seu cárcere no porão,
dei à luz os sonetos escondidos.
seus acordes me acordaram na prisão,
e também os meus versos esquecidos.
chegaram brisa e, breve, eram tufão
apagando os pagãos mal-entendidos,
reacendendo a brasa da paixão.
e lembrando que somos parecidos.
talvez tu nem faças ideia desse amor que eu tenho por ti,
mas garanto que é o mais puro que já pude sentir por alguém.
a minha vida tomou rumo novo, no instante em que eu te vi.
nos teus olhos eu vi meu futuro e passei a querer-te. e o teu bem.
não sei se algum dia tu leste os poemas que te escrevi,
diversos encharcados do amor que nunca entreguei. a ninguém.
que Deus permita que os leia e conheças tudo o que eu senti.
que os versos desatem teu peito, e que possas amar-me também.
a lua de hoje é só tua.
é a lua mais bela que vi.
a lua de hoje insinua
o amor que eu sinto por ti.
eu te amo.
teus olhos, lindos, um dia
encontraram os meus,
por pura sorte. ou magia.
ou por vontade de Deus
que descerrou, pra mim,
teus véus.
e escreveu o nosso fim,
nos céus.
só Ele o sabe.
não há quem possa prever
nossas escolhas futuras.
não há o que me faça sofrer.
nem mesmo as (tantas) quadraturas.
e se o teu saturno soturno
se opõe ao meu marte,
dificulta, incomoda.
mas não me impede de amar-te.
é preciso paciência. é preciso devoção.
para a densa poesia,
para a criptografia
da tua vênus em escorpião.
às vezes será ótimo.
às vezes, mais ou menos.
e às vezes vai falar alto meu marte.
em trígono com a tua vênus.
talvez um dia nossos caminhos se cruzem,
e sejam então, uma só,
as estrelas que nos conduzem.
mas não há promessa.
não há medo.
não há pressa.
e pra quem faz porque gosta,
não há nada que atrapalhe.
o tempo traz a resposta.
o resto é mero detalhe.
eu nunca deixei de te amar.
é como flanar
num domingo à tarde.
sem rumo, sem pressa.
sem alarde.
livre.
descalço,
sem camisa.
com a cumplicidade fraternal
da brisa.
é como sorrir com a lembrança
das aventuras,
travessuras,
dos meus tempos de criança.
é como se fosse
a primeira mordida
no doce.
o favorito.
ou como escutar o canto
mais bonito
dos pássaros
em sinfonia.
em sintonia.
é protagonizar
a poesia
de clarice.
é como se emocionar
com adiós nonino.
ou se encantar com improvável elástico
do rivelino.
é sublime. é único.
é divino.
assim é te amar.
lindo é o amor dito pelos sábios
e o discurso denso e erudito.
mas quero mesmo encontrar teus lábios,
num beijo lindo, puro. e infinito.
no quarto escuro brilha o teu sorriso
mesmo à distância, sinto-te presente.
entre palavras, acho as que preciso.
e escrevo versos que falam da gente.
toda vez que meu sono aparece,
meu sonho é contigo. ao meu lado.
mas não é sempre que isso acontece…
então sigo sonhando. acordado.
Foi num dia de março.
Ainda verão, quase outono
Que acordei do meu sono,
Longo,
Profundo.
Como se depois de tanto tempo
Abrissem os meus olhos.
Me tirassem o capuz.
E diante de mim,
Tua beleza irradiante.
Tua luz.
Num piscar de olhos,
Os teus,
Despertei.
O nome do que senti,
Eu não sei.
Mas era bom.
E era forte.
Voltava eu, naquele instante,
Da morte.
Meu sangue, de novo, pulsava nas veias.
Tantas pessoas a nossa volta,
Todas alheias
Ao milagre divino,
À ressurreição.
Meu coração,
Outra vez vivo,
Quente.
E ao mesmo tempo,
Eu ali, dormente.
Atônito
Com a inimaginável
Experiência
De voltar a amar.
Ah! Moça linda,
Do sexto andar!
Quantas vezes fui te ver,
Sem nem ter o que falar…
Só pra sentir teu perfume.
E te escutar.
Naquele dia de março,
Meu amor, antes contido,
Ali, esparso.
No meio da sala,
Vertia.
Você falava,
Sorria.
Tuas palavras, me abraçavam,
E vinham aos meus ouvidos
Como poesia.
E minha interminável e solitária noite,
Virava dia.