De Volta

Onde está você
Que não está me procurando?
Onde está você, amor?
Fui andando, desejando te esquecer,
Machucado, eu caminhei a esmo…
Só queria ir pra longe de você,
Me afastei devagarinho… de mim mesmo…
Cheguei a nenhum lugar… vi o desconhecido…
Ou você vem me achar… ou tô perdido

Perdido…

Solto nesse meu mundo de tédio…
Preso nessa sempre-mesma-vida…
Sem graça… Desgraça descabida…
Doente de amor… E sem remédio…

Já não rio. Já não gozo. Já não sonho.
Já acho o arco-íris enfadonho…
Já não enxergo nem respiro poesia
E é amargo o pão-meu de cada dia…

Já não tô achando nada bom
Nada disso aqui me satisfaz
Tô achando Tom fora de tom
E os versos de Vinícius, imorais…

Onde está você
Que não está me procurando?
Onde está você, amor?

Eu quero de volta o amor da minha vida
Eu quero o amor da minha vida
Só quero o amor da minha vida…

Vício

Quando julguei-me liberto
De toda a antiga agonia,
De todo o passado incerto,
Daquela vida sombria…

Quando pensei ser o fim
De tanta insônia e dor,
Que o sol nasceria pra mim,
Doando-me luz e calor,

Percebi-me na verdade
Preso em uma armadilha:
Não há mais felicidade
Sem teu cheiro de baunilha.

Banho

Serena. Sozinha com seus pensamentos…
A luz do dia vem pela janela
E antecipa o fim de maus momentos,
Por todo o quarto o cheiro de canela.

Mais que o corpo, recompôs a alma
No banho, imersa em tantas memórias
Que se misturam e resultam em calma.
Esquece as dores. Lembra das vitórias.

Com a toalha áspera na pele macia
Remove medos, traumas e liberta.
Já não se sente tão distante e fria,
E já intui, com a mente mais aberta.

E ela escuta o próprio coração
Que antes do banho estava tão calado
Mas agora bate com a emoção
De um alegre recém-libertado.

Entrega-se a moça, revigorada,
A um destino muito mais bonito.
Segura, em sua nova estrada
De amor lindo, puro e infinito.

Inevitável

Não há poesia no mundo
Que consiga exprimir
Esse amor tão profundo
Que eu insisto em sentir.
Não há versos que alcancem
Seu sentido ou dimensão,
Tampouco rimas que entrancem
O sentimento e a razão.
É um amor inefável,
Uma paixão inenarrável,
Um desejo inexplicável…
De um poeta inexorável
Com uma força inesgotável
E uma ânsia incontrolável
Pela musa inestimável
De alma inabalável
E coração inescrutável.

Tragédia inevitável?

Mais que perfeita

Onde está essa mulher
Que, há muito, em meus sonhos habita,
Que faz de mim o que quer,
Me encanta, me envolve, me excita?
Com lábios que me enlouquecem
Com olhos que me atiçam
Com braços que me aquecem
Com seios que me enfeitiçam
Sem medo de ser feliz
Sem pudor de ser mulher
Sem complicar o que diz
Sem reprimir o que quer
Com mãos que me acariciam
Com palavras que me prendem
Com beijos que me saciam
Com lágrimas que me rendem
Sem manias e sem vícios
Sem traumas e sem pavores
Sem manhas ou artifícios
Sem saudosos amores
Com o perfume que eu quero
Com o sabor que eu adoro
Com formas que eu venero
Com tudo por que imploro.

Serenidade

Serenidade:
Palavra perdida no espaço
Saiu sem olhar pra trás,
Ligeira, apertando o passo
Não deu notícias.
Jamais.
Serena idade?
Tolo, imaginei-me aos trinta
Calmo, tranqüilo e maduro
Desilusão fez que eu me sinta
Bem mais frágil.
Inseguro.
Serenidade,
Por que tu foste embora?
Volta pra cá, por favor
Acalma meu peito que chora
Porque é vazio de amor.

És

Doce, meiga e delicada,
Alegre, irônica, inteligente,
Tranqüila, bem-humorada, T
ímida, irreverente.

Teimosa, precisa, adorável,
Esperta, calma, instintiva,
Colorida, indecifrável,
Incrivelmente criativa!

Verdadeira, sensível,
Engraçada, correta, de paz,
Compreensiva, imprevisível,
Controlada até demais!

Curiosa, obstinada,
Persistente, difícil,
Ansiosa, iluminada,
Especial desde o início!
Fofa, comunicativa,
Diferente, dengosa,
Rara, introspectiva,
Exageradamente charmosa!

Pura, desconcertante,
(E, agora, mais presuntinha…)
Suave, apaixonante
Linda e, claro, minha!

N. do A.: Presuntinha é uma brincadeira, particular, com mais uma qualidade: presunçosa.