Vai ser difícil…
Viver sem teu bom-dia
Vai ser difícil…
Ou talvez seja impossível
Sorrir sem teu sorriso
Respirar sem teu perfume
Imaginar sem tua inspiração
Vai ser difícil
Outro rosto no porta-retrato
Outros olhos pra me dar coragem
Outra boca pra fazer silêncio
(Vai ser difícil…)
Chegar em Ipanema
Escrever mais um poema
Falar de cinema com alguém
Vai ser difícil ficar sem…
Vai ser difícil ficar bem…
Tão difícil…
Vai ser tão difícil…
Tão difícil…
Achar graça em Agosto
E beber sozinho
Essa bebida sem gosto
Que já foi… o nosso vinho…
Vai ser difícil…
Tag: finito
Janela
Ah! Eu preciso abrir a janela
Eu preciso ver o sol
Eu quero acabar com essa profana agonia
De todo santo dia
Desde o dia em que você foi embora
Desde aquela hora,
Eu me calei
Todo esse tempo
Mudando e mudo
Em todo esse tempo eu só escuto
Caetano
Calado, como um velho sábio monge
Tibetano
Vendo a minha desbotada eloqüência
Deixar nascer uma bem-vinda paciência
Vendo o meu orgulho imenso
Queimar como um incenso
Que impregnou o ar com um perfume de baunilha
E nostalgia,
Poderosa amônia,
A despertar minha indiscreta insônia
Que, ontem à noite, sem eu perguntar, me disse
Que é vazia e inútil
Minha metamorfose,
Se o amor foge
Pra longe,
Pra onde
Você não vê.
Por isso hoje eu abro a janela,
Fujo desse estéril castigo
Que, errado, julguei ser o meu abrigo
E para cada um que passa eu digo
Como se fosse o meu melhor amigo
Que eu amo você,
Que agora eu já entendi
E eu te quero aqui.
Todo Dia
Senti frio.
Senti medo.
Senti falta.
Corri pra tentar chegar antes
Mas por meros instantes
Cheguei atrasado.
Menti pra evitar estragar
E quando acordei
Já estava estragado.
Bebi pra esquecer que bebia
Pra esquecer
O que eu não esquecia.
Gritei pra arrancar do meu peito
O passado imperfeito
Que tanto afligia.
Chorei pra lavar a alma
E os olhos incrédulos
No que não enxergavam.
Escrevi por insegurança,
Pra manter a esperança,
Pra desabafar.
Rezei pra não te ver.
Pensei pra te alcançar.
Vivi pra não morrer.
Caí pra levantar.
Calei por falta de opção
E interlocutor.
Amei por falta de amor.
Beijei a boca errada
Sem paixão, sem desejo
E com gosto de nada.
Lembrei de você todo dia
Vivi a agonia
De um condenado.
Lembrei de você todo dia
E por covardia
Estive calado.
Elixir
Se
Olho pro lado e não te encontro
E não escuto tua voz, tampouco
Talvez esteja mesmo um tanto louco
Porque ainda sinto teu perfume aqui.
Se
Já não me lembro o dia em que te vi
Nem de tudo aquilo que disseste
Talvez eu seja mesmo um cafajeste
E não mereça estar do teu lado.
Se
Eu não enxergo o que fiz de errado
E não compreendo a tua atitude
Talvez eu seja mesmo muito rude
E estás bem certa quando dás de ombros.
Se
Sobrevivi em meio a esses escombros
E te desejo mais que à própria vida
Talvez tu sejas mesmo a mais querida
Que poderia pra mim existir.
Se
Teus beijos doces foram um elixir
Do mais perfeito e sábio alquimista
Talvez na vida eu jamais desista
De te amar e de te ter me amando.
Se
Cheguei aqui porque segui errando
Daqui não passo se não te levar
Talvez eu deva mesmo te esperar
E é só isso que eu tenho feito.
Saudade
Saudade não é saudável…
Tão ingrata emoção
É doença incurável
É a solidez da solidão
Saudade, insano vazio
Que preenche o coração
Saudade é um dia frio
Bem no meio do verão
Saudade é forma de dor
Que dói no peito que espera
Saudade é jardim sem flor
Mesmo em plena primavera
Saudade é falta de sorte
Saudade é prima da morte
Saudade derruba o forte
Saudade… Maldade…
Saudade é medo. É trauma
De viver longe de ti,
Saudade é minha alma
Quando não estás aqui.
Poema no Mar
Larguei um poema no mar
Em uma garrafa de rum
Se um dia ele te encontrar
Tomara não seja apenas mais um
Tomara tenha a sorte
Que não teve nenhum
De tocar a tua alma
De fazer suar a palma
Da tua mão
De ousar mudar o ritmo
Das batidas
Tão contidas
Do teu coração.
Eu queria tanto
Estar aí contigo
Eu queria mesmo
Ser o teu melhor amigo
Ser de novo teu amante
E não ser o almirante
Sem esquadra
E não ser o comandante
De um barco naufragado
E não ser o habitante
De uma ilha tão distante
A viver apaixonado…
Larguei um poema no mar
Escrito com tinta vermelha
Se um dia ele te encontrar
Que nos sirva de centelha
Que acenda no teu peito
Que acenda do teu jeito
A paixão que existe no meu.
Larguei o poema no mar,
Pedi ajuda a Netuno
E no momento oportuno
Ele vai te entregar.
Após noite mal dormida
Tu estarás distraída
E ao olhar o mar de Angra
Vais se lembrar que ainda sangra
Meu coração, com saudade.
E vais ver, então, uma garrafa,
Presa, talvez, na tarrafa
De algum pescador.
Dentro estará um poema
E, com certeza, o amor.
Eu juro
Pelo homem que deu por cachaça
O dinheiro que compra seu pão.
Pelo outro que deu, por desgraça,
O que tinha em seu coração.
Pela santa que chora em vermelho
Pelo velho que jaz no caixão
Pelo estranho que eu miro no espelho
Pela moça que inspira a canção
Pelo moço que canta o fado
Pelo artista que pinta com o pé
Pela virgem que cheira a pecado
Pelo ateu que vive da fé
Pelo surdo que toca piano
Pelo cego sem medo do escuro
Pelo tolo e seu tolo engano
Pelo homem que reza no muro
Pelo réu que jura inocência
Pelo cão que lambe seu dono
Pelo escravo que pede clemência
Pelo anjo que vela o teu sono
Pelo soldado sem dia seguinte
Pelo rosto que está no jornal
Pelo sem-teto e sem requinte
Pelo mendigo do sinal
Pelo palhaço que chora
Pela estudante que ama
Pela amante que implora
Pela velha que reclama
Pelo velho que não escuta
Pelo ambulante que berra
Pelo menino que luta
Pela gente que erra
Pela mãe que espera seu filho
Pelo pai que rouba por fome
Pelo insano que deita no trilho
Pela puta que tinha o teu nome
Pelo amigo que abraça
O amigo em pranto
Pelo Pai, pelo Filho
Pelo Espírito Santo
Pelo amor da minha vida
Que ainda vou conhecer
Eu juro e, de novo, eu juro
Que agora eu vou te esquecer.
180898
Momento solene
Quando te vi
Amor perene
Nasceu ali?
Uma hora antes
Ou séculos depois
Finalmente instantes
De só nós dois…
Chegaste,
Sorriste,
Ficaste.
Aprendemos,
Sofremos.
Vivemos.
Teus Dias
Sinto tua falta.
E mesmo sem saber se um dia
Hei de rever-te,
Desejo que teus desejos
Tornem-se reais,
Que teu peito seja lar para o amor
E tua alma
Para a paz.
Que nos teus dias
Não caiba o medo,
Não caiba a dor,
Não haja sequer a sombra
Da incerteza
E que teus passos sejam firmes, constantes,
Seguros
Na direção, não necessariamente do paraíso,
Mas do que, tu, julgues preciso
Para viver.
Que a sagrada luz
Que brota dos teus olhos Ilumine a tua estrada
Para que torne-se serena
Tua jornada.
E que em todas as manhãs
O perfume inconfundível
Da felicidade
Faça-te perceber teus sonhos,
Tornando-se
Realidade.
Fico
Hipnotizado,
Perplexo,
Paralisado
E sem nexo,
Descontrolado,
Ofegante,
Alucinado
E delirante.
Intrigado,
Indefeso,
Abobado
E surpreso.
Instigado,
Confuso,
Sufocado
E obtuso.
Encantado!
Muito feliz
E apaixonado…
Quando sorris!
