Mais Que Tudo

Como tu falta-me aos braços!
Como, sem ti, é oco meu peito!
Minh’alma, tantos espaços
Como a cama em que me deito…

Estranha ausência que sinto
(Pois nem minha tu és)
Me toma como um instinto
E me derruba aos teus pés…

E como eu desejo te ter!
Como eu desejo te amar!
Pena não poderes ver…
Nem tampouco imaginar…

Mais que tudo, te quero!
Tua boca, tuas mãos, teus seios…
Quero, com um beijo sincero
Libertar os nossos freios

Quero overdose de amor!!!
Quero paixão permanente!
Gozar, explodir com o calor
Da tua pele ardente

Quero deitar do teu lado
E respirar o teu cheiro
Me sentir realizado,
Homem, feliz. Verdadeiro!

Soneto da Libertação

Nunca mais vou te dizer
Que és tudo o que preciso
Que não saberei viver
Por não ter o teu sorriso!

Teu olhar nada me diz
A partir deste momento.
As juras de amor que te fiz
Foram-se, agora, no vento!

O meu coração vazio
Ficou mais calmo, sereno
Sobreviveu ao teu frio…

Livrou-se do teu veneno
Seguirá novo, sadio
Em busca de um amor pleno!

Vuoto

Oggi io ti ho cercato nella moltitudine.
Tra i tanti che andavano,
Tanti che venivano,
Ho ricercato, attento,
Ansioso,
Una luminosità
Che potesse denunziare il tuo sguardo
La tua presenza.
Ho atteso che la brezza del mare
Portasse, rinvolta,
Come regalo,
Il tuo profumo.
In mezzo alle voci e rumori
Del cotidiano affrettato
Ho tentato sentire
La piú semplice
Manifestazione della tua voce…
Ma tu non ti sei fatta vedere.
E, per rincontrarmi con te,
Ancora una volta
Ho mosso tutto quello
Che é nostro
Che ho mantenuto guardato
Dentro me.

Sorbonne

Filha da puta,
Pára e me escuta
Porque eu te amo,
Caralho.
Como é que você não percebe,
Parece até que não bebe!!!
Tão insensível, obtusa…
Vê se entende de uma vez
Essa merda toda,
O mundo que se foda,
Porque eu te quero,
Porra!
Mas, antes que eu morra,
Porque depois não adianta…
Defunto não beija,
Presunto não abraça…
Se eu morrer, fodeu, já era…
Você senta e espera..
Aí só na próxima!
E se você sair do inferno,
Que é pra onde vai
Quem fode
Com a vida dos outros.
Até quando vai durar
Esse faz-de-conta
De que está feliz?
Olha na minha cara, caralho,
E me diz!
Porque eu duvido!
Larga esse fodido
Que não te merece.
Porque eu não agüento mais essa
Merda na minha garganta,
Me sufocando.
Vê se presta atenção,
Deixa de ser burra,
Você merecia uma surra,
Mas não bato em mulher.
Ainda mais a que eu amo,
A que eu venero.
Se o problema é tempo,
Eu espero,
Mas me diz até quando,
Pra não parecer que está
Cagando
Pra essa coisa bonita
Que eu trago no peito
E chamo de amor.

Eu Quero Você

Eu quero você de todos os jeitos
Com todas as suas manias
E defeitos
Com todos aqueles seus pretextos pretéritos
Mais que imperfeitos
Que fazem tanta falta
Num dia como hoje
Em que o maior de todos meus desejos
É caprichar na retórica
Pra te pedir dois beijos
Um pra agora
E outro pra levar
Porque daqui a meia hora
Eu sei que vou sentir saudade
Eu sei que vou sentir vontade
De novo de você
E vou te querer
Com todos os seus vícios
E artifícios
Com todos os seus medos
E segredos
Com todos os seus risos
E improvisos
Com toda a sua imensa
Toda a sua intensa
Vontade de viver
Eu quero hoje, amanhã e sempre
Eu quero você

Esfinge

Eu devia ter desconfiado
Desses olhos de leão
Que escondem o coração
De pedra
De uma esfinge
Que finge
Nem me notar. Não me querer.

Eu que tentei decifrar
Desde o segundo segundo em que a vi
Mesmo quando o que eu mais queria
Era ser devorado.
Era ter transformado
Esse meu amor quase platônico
Em um romance faraônico
De final feliz

(Juro que eu quis)

Mas tudo o que resta do sonho
É o deserto
De escassas lágrimas pelo amor que não deu certo
De remotas esperanças de tê-la de novo por perto
Pra descobrir, pra conquistar
Mais do que a aparência, muito mais, a sua essência
O seu lindo coração
Protegido, escondido
Pelos olhos de leão.

Sandália

Quando passar por aqui qualquer dia
Deixa pra mim lá na portaria
Um envelope com a minha alegria
Que você levou por engano
Quando, enganada, saiu
Quando se foi apressada e aflita
Deixando pra trás preciosos pertences:
Meu coração e a sandália de dedo
Enchendo a sala de dor e de medo

De um nunca mais

Quando passar por aqui qualquer dia
Em vez de deixar o envelope com o Zé
Sobe, quem sabe eu te faço um café
Daqueles que a gente tomava à tardinha
Enquanto falava das nossas vidas
Que eram tão próximas
Tão pouco sofridas

Tão lindas de viver

Quando passar por aqui qualquer dia
Esquece que um dia saiu apressada
Lembra que aqui ainda é teu lugar
Fecha os olhos e sonha de novo
Deixa a sandália voltar pro seu pé
Acende uma vela e toma um café
Abre o envelope e põe a alegria

De volta no lugar

Olha Pra Mim

Olha pra mim mais uma vez
Que eu esqueci de perguntar
A tua música favorita
O teu número da sorte
Em que deus cê acredita
E esqueci de te falar
Que você tá tão bonita
Que tenho medo da morte
E que a vida é esquisita
Se você não está.
Fica só mais um instante
Que eu esqueci de perguntar
Se essa lágrima que escorre
Foi casual, um mero cisco
Ou se corremos o risco
De ser de dor
É de doer. É de matar
Essa saudade que inda vou sentir
Essa tristeza que inda vou chorar
Essa verdade que eu vou dizer
Olha pra mim pra não esquecer
Que eu te amo e vou sempre amar.

Tagliatelle

Alma quebrada. Que brada
Com o coração sombrio. Sem brio.
Sem amor, sem ódio. Só nada.
Quieto, tolo, fraco. E frio.

Coração sem cor. Sem ação.

Coração carente.
Que chora.
Coração doente
Que piora.
Coração demente
Se apavora.
Coração dormente
Ignora
As súplicas da alma
Que implora
Por inesgotável calma
Nessa hora!

E que o coração desista de desistir
Que o coração insista na insistência
Porque se a alma gêmea demora a vir
Quem pode ir buscá-la é a paciência.

Mas o coração vazio, vadio
Vagueia vagaroso. Acuado.
Desconfiado, arredio.
Seco, oco, roto. Derrotado.

Bate por bater. Dentro do peito.
Sem ritmo, sem força. Tão triste.
E num instante ímpar, imperfeito
Abandona a alma. E desiste.

Não!

Não é possível
Que tenha sido tudo em vão
O que li nos teus olhos
Não foi mera ilusão
À toa não foi, à toa não foi
À toa não
Só conheci amor quando peguei a tua mão
À toa não
Eu não posso entender
E nem quero querer
Que você suma e tudo se resuma
Em versos perversos,
Ditos malditos e
Pesados pesadelos
Que eram sonhos
E jamais serão
Tratos abstratos
Que se vão.
Não foi em vão. Não foi em vão.
À toa não.
Não!