nós

talvez tu nem faças ideia desse amor que eu tenho por ti,
mas garanto que é o mais puro que já pude sentir por alguém.
a minha vida tomou rumo novo, no instante em que eu te vi.
nos teus olhos eu vi meu futuro e passei a querer-te. e o teu bem.

não sei se algum dia tu leste os poemas que te escrevi,
diversos encharcados do amor que nunca entreguei. a ninguém.
que Deus permita que os leia e conheças tudo o que eu senti.
que os versos desatem teu peito, e que possas amar-me também.

teu silêncio

esse vício que tenho, amar-te,
deixa-me, seguidas vezes, sem rumo.
é tambem indiscreto estandarte
do que quero ocultar, mas assumo.

ignoro os meus fins de semana
desesperado, esperando um sinal
como aquele que implora por bardana
que lhe possa aliviar todo o mal.

mas teu silêncio impera, mais forte.
não retrocede ou esmorece. não cai.
sangra meu peito com preciso corte,
da infalível espada de um samurai.

um novo amor

o amor vem quieto. e quieto permanece
no peito da gente, sossegado, adormecido.
até que um dia, por obra e graça do cupido
ele desperta. se agiganta. e acontece.

o coração da gente logo sente. estremece
e o mundo fica bem mais belo. e colorido.
duas vidas enveredam em um novo sentido
mais lindas, de mãos dadas. sob o sol que aquece.

nos céus

eu te amo.

teus olhos, lindos, um dia
encontraram os meus,
por pura sorte. ou magia.
ou por vontade de Deus
que descerrou, pra mim,
teus véus.
e escreveu o nosso fim,
nos céus.

só Ele o sabe.

não há quem possa prever
nossas escolhas futuras.
não há o que me faça sofrer.
nem mesmo as (tantas) quadraturas.

e se o teu saturno soturno
se opõe ao meu marte,
dificulta, incomoda.
mas não me impede de amar-te.

é preciso paciência. é preciso devoção.
para a densa poesia,
para a criptografia
da tua vênus em escorpião.

às vezes será ótimo.
às vezes, mais ou menos.
e às vezes vai falar alto meu marte.
em trígono com a tua vênus.

talvez um dia nossos caminhos se cruzem,
e sejam então, uma só,
as estrelas que nos conduzem.

mas não há promessa.
não há medo.
não há pressa.

e pra quem faz porque gosta,
não há nada que atrapalhe.
o tempo traz a resposta.
o resto é mero detalhe.

eu nunca deixei de te amar.

assim é te amar

é como flanar
num domingo à tarde.
sem rumo, sem pressa.
sem alarde.
livre.
descalço,
sem camisa.
com a cumplicidade fraternal
da brisa.
é como sorrir com a lembrança
das aventuras,
travessuras,
dos meus tempos de criança.
é como se fosse
a primeira mordida
no doce.
o favorito.
ou como escutar o canto
mais bonito
dos pássaros
em sinfonia.
em sintonia.
é protagonizar
a poesia
de clarice.
é como se emocionar
com adiós nonino.
ou se encantar com improvável elástico
do rivelino.
é sublime. é único.
é divino.

assim é te amar.