sodium

estéril é a saudade, se de um só…
se não encontra no outro simetria.
é um engano sem tamanho, de dar dó,
é amor que se dilui em agonia!

a paixão outrora infinda, finda em pó…
a alma – um zeppelin que esvazia –
embolada na garganta, feita um nó,
já não sente nem respira poesia.

não é nostalgia

eu queria agora, depois de um abraço,
falar baixinho,
pertinho,
do teu ouvido,
o monte de coisas bonitas
que eu tenho sentido.
é tanta saudade,
que no peito o que sobra,
é graça e obra,
da sinceridade.
verdade.
a vida deveria ser mais simples
porque é tão curta
que minha cabeça
confusa, avessa,
quase surta
quando te enxerga distante.
por um instante
sinto de novo teu perfume,
aquele da nuca,
perto da flor.
não é nostalgia, juro,
é amor.
o mesmo amor que revelei há anos,
que depois de tantos desencontros
e enganos,
ainda vive.
e insiste
em ser teu.

madrugada

toda madrugada guarda
suspiros e segredos
e aguarda a mãe dos medos,
a solidão.
toda madrugada é puta.
e pura.
deita-se, escuta,
e atura
lamentos e loucura
dos que sofrem de amor.
toda madrugada é dor.
é fria.
noite que quer ser dia,
irônica,
como uma filarmônica
de silêncios.
é um sorriso blasé.
toda madrugada
é, ainda assim, a estrada
que me leva até você.

Muito obrigado

Muito obrigado pela distância
Que me mandou de presente
Ficou um pouco grande
E, quando eu uso, ainda expande
Mas terá utilidade,
Combina bem com a saudade
Que me deu ano passado
E que muito eu tenho usado
Todo dia de manhã.
Olha, não precisava…
Deve ter sido tão cara,
Tem jeito de coisa rara
Que a gente só dá realmente
Pra quem merece o presente.
Eu fico lisonjeado.
Não retribuo à altura
Por plena incapacidade
Quando ganhei a saudade
Mandei de volta carinho
E agora que ganho a distância
Não tenho, da mesma importância,
Algo para mandar.
Tenho ainda aqui muito amor
Mas já não sei se combina
Com as suas outras coisas,
Com a sua nova sina…
Melhor mantê-lo guardado
Pois se fizer uso errado
É bem capaz de estragar…

a mulher que eu amo

a mulher que eu amo é só minha.
mas ainda não sabe. ou finge.
e me olha com olhos de esfinge,
de mistérios que eu não desvendo.
entendo
que o tempo precisa passar
mas quanto mais passa,
padeço,
mas quanto mais amo,
esqueço,
o tudo que eu já sofri.
a mulher que eu amo é doce.
mais doce que fruta madura,
daquele sabor e doçura,
que sempre se quer mais um pouco.
qual louco,
espero, trancado na cela,
e mantenho guardado o que eu quero,
dar de presente pra ela.
a mulher que eu amo sorri,
e me brindam os seus lábios perfeitos,
com o sorriso mais lindo que vi.
meu sol.
a mulher que eu amo é forte.
é justa.
traz na alma alegria que assusta,
quem com vida não sabe lidar.
a mulher que eu amo tem seios lindos
e percorre caminhos infindos
quando sonha
e transpira paixão.
é livre,
sagitariana,
e reina,
sábia soberana
no meu, que é seu, coração.