Desconhecidos

Onde você está
Exatamente agora?
No que estará pensando
Daqui a meia hora?
Eu não sei mais nada
Sobre a sua vida
Eu não sei mais nada
Sobre a sua lida
Sobre as suas fotos
Seus rascunhos
Seus sonhos
Seus receios
Seus recreios
Suas juras de amor
Se há amor.
Eu não sei mais nada
Das suas longas viagens
Pelos caminhos mais estranhos
Da imaginação
Que Deus deu pra você.
Nem das suas breves viagens
Com estranhos, pelos caminhos
Que na imaginação,
Deus nos teria dado…
Não sei das suas férias
Das suas misérias
Das suas farturas
E das criaturas
Que ficam embaixo
Ou em cima
Da sua cama.
Não sei se você me ama.
Mas sei se eu amo você.
Não sei como cabe tanto orgulho
Em um metro e sessenta
Não sei como você agüenta,
Suporta essa tormenta
Calada
Parada
Gelada
Como se tudo o que aconteceu
Com tudo o mais que iria acontecer
Fosse nada.
Somos ilustres desconhecidos
Um do outro
E nem faz tanto tempo
Mas ao mesmo tempo
Faz.
Faz frio.
Mesmo no calor.
Tanta gente pra amar
E tanta falta de amor.
Acho que deixei na sua bolsa
Uma bala,
O papel do estacionamento
E o meu melhor sentimento.
Porque não o encontro mais…
E já revirei tudo.
Estou tranqüilo, em pé,
Talvez feliz
Mas com um escudo.
Que me separa do mundo
De todo mundo
Que eu poderia amar
Como amei você.
Onde você está
Exatamente agora?

Saudade

Saudade não é saudável…
Tão ingrata emoção
É doença incurável
É a solidez da solidão

Saudade, insano vazio
Que preenche o coração
Saudade é um dia frio
Bem no meio do verão

Saudade é forma de dor
Que dói no peito que espera
Saudade é jardim sem flor
Mesmo em plena primavera

Saudade é falta de sorte
Saudade é prima da morte
Saudade derruba o forte
Saudade… Maldade…

Saudade é medo. É trauma
De viver longe de ti,
Saudade é minha alma
Quando não estás aqui.

Teus Dias

Sinto tua falta.
E mesmo sem saber se um dia
Hei de rever-te,
Desejo que teus desejos
Tornem-se reais,
Que teu peito seja lar para o amor
E tua alma
Para a paz.
Que nos teus dias
Não caiba o medo,
Não caiba a dor,
Não haja sequer a sombra
Da incerteza
E que teus passos sejam firmes, constantes,
Seguros
Na direção, não necessariamente do paraíso,
Mas do que, tu, julgues preciso
Para viver.
Que a sagrada luz
Que brota dos teus olhos Ilumine a tua estrada
Para que torne-se serena
Tua jornada.
E que em todas as manhãs
O perfume inconfundível
Da felicidade
Faça-te perceber teus sonhos,
Tornando-se
Realidade.

Foi-se

Foi-se!
E eu fiquei
Na companhia de apenas
Umas poucas lágrimas
Mais cinco ou seis palavras
Presas na garganta.

Foice! Que rasga o coração. Sangra o coração
Pobre coração. Antigo lar de tantos belos sentimentos
De sonhos e sonetos
De esperanças,
Danças, canções.
Emoções.

Foi-se!
E o que era amor
Virou saudade?
Virou tristeza?
Virou vazio?

Que virem, sim,
Velozes, constantes
As folhas desse ordinário
Calendário
Que dias passem em segundos.
Voem!
Que o tempo seja, na frente de tudo,
Meu amigo.
E que antes, bem antes,
De eu enxugar meu rosto,
Possa de novo (pra sempre)
Sentir o gosto
Do teu beijo.
Que beijo!
Definitivo, permanente. Eterno.
Impregnado em cada milímetro
Da minha memória.
Beijo puro. Beijo doce. Beijo meu.
Beijo da vida. Beijo que me deu vida.
Vivo pra isso.
Por isso.

Foi-se!
Te espero.
Te quero.
Te amo.

Descarto Descartes

Quanto mais eu penso
Menos existo.
Porque me consumo
Em dúvidas,
Lacunas.
Porque me esgoto
Em perguntas
Sem respostas.
Porque me esvazio
Da coragem,
Da esperança.
Quanto mais eu penso,
Mais me perco.
E sem achar de volta
O caminho,
Faço do labirinto
Um lar.

De certa forma,
Me liberto.

E já não sinto
Saudades,
Dor.

Quanto mais eu penso,
Menos respiro,
Menos choro,
Menos quero,
Menosprezo.

Quanto mais eu penso,
Menos acho a razão.
Paradoxo.
Pára tudo.

Que razão há de existir,
Se a razão de existir foi embora?

Presente de Grego

Não é de Pandora
A caixa de um homem que só te adora.
Não é a caixa que te apavora.
Nem o homem que, só, te adora.
E importa pouco seu conteúdo.
O melhor de tudo
Está fora…

Então não peça de presente
A minha ausência
Embrulhada em cara
Carência
Encharcada com uma
Essência
De incerteza
Porque não te cabe
Porque não combina
Com uma mulher tão bonita
Uma alma de chita
Rasgada
Um coração apertado
Um roto sorriso
Um olhar opaco,
Impreciso.

Preciso
Dar, sim, o meu melhor presente,
Único,
Diferente:
Esse amor enorme, lindo,
Quente.
Feito à mão por Deus,
Pessoalmente,
Para cobrir teu corpo, alma
E mente.
E te fazer feliz.

Vitória

Escute que eu vou dizer que você está errando
Desculpe mas você sabe muito bem do que eu estou falando
Se hoje você está livre
Com a morte de um grande problema
Amanhã de manhã o sol nasce
E renasce o seu mesmo dilema

Porque eu sei que ainda existe
Um pouco de amor
E ele vai te seguir (pode crer)
Aonde você for

Eu sei que o destino assusta
Eu sei que às vezes dá medo
Mas pense antes de desistir
Se ainda não está muito cedo

Mas
Se você quer ter a certeza
Que nós dois chegamos ao fim
Eu lhe digo com toda franqueza:
Não vai ser fugindo assim!!!

Tudo bem que o passado é suspeito
Pelo seqüestro do presente
Mas nesse crime hediondo e imperfeito
Nosso futuro é inocente

Eu acho que dá pra gente ser feliz
Com toda a paz que você sempre quis

E algo me diz que, seguindo,
Insistindo com a nossa história,
Lá na frente alguém está esperando:
É a nossa Vitória.

Siga

Não sintas pena de mim
Sei suportar minha dor
Melhor que podes supor
Ainda estou longe do fim

Jamais me olhes com dó
É pior que indiferença
Já aceitei minha sentença
De morrer, por viver só

Não me tenhas como amigo
Te juro, prefiro o nada
Mas não te sintas culpada
Nem te preocupes comigo

Guarda qualquer falsa flor
Prefiro até teus espinhos
Eu não quero carinhos
O que procuro é amor.