Condenado

Morro por ti, acredita!
De tanto que te desejo,
Minha alma põe-se aflita
E morro pelo teu beijo!

Morro também de saudade!
Quando tu vais e demoras,
Para mim a eternidade
Cabe em um par de horas…

Maior ainda é a desgraça
Se sentem o teu perfume,
Se alguém te beija ou te abraça,
Morro (e como!) de ciúme!

Ou quando percebo-te triste
Para mim, tenhas certeza,
É a pior dor que existe
E morro, também, de tristeza!

Mas se tu beijas meu rosto
Ou seguras minha mão
Eu morro com todo gosto
Porque morro de paixão!

Minha Paz

Numa tarde,
Em Ipanema,
Triste,
Andei.

No peito, um coração
Carregado de saudade e tristezas
Ritmava meus passos
Preguiçosos.
A cabeça atormentada, perdida,
Estranha a mim mesmo,
Era habitada por tribos de pensamentos
Que lutavam
Incessantemente
Entre si.

E eu andava.
Sem saber exatamente o que procurava…
Me percebi diante
Da N. Sra. da Paz
Sem ser capaz
De entrar.

Acelerei o passo, era preciso.
Paz, Paz, Paz… – pensei –
Senhor, me mostra onde encontro a minha…
Não foram necessários mais que dois minutos
Ou alguns passos.
Para aparecer diante de mim,
Ainda incrédulo,
Depois de tanto tempo,
Em lugar tão improvável,
Em uma hora verdadeiramente incomum,
Você.

Despenteada, linda.
A minha paz.

Coisinhas

Sabe aqueles dias
Em que a saudade aperta
E que a iminência da lágrima
É quase certa?
Nesses dias eu largo a dor
Em um qualquer banco de praça
Torno-me cúmplice do tempo
Que não passa
E acho engraçado
Como mesmo longe
Você continua
Do meu lado
Como são as coisas
(bonitas e tantas)
Que te trazem aqui
Um simples quindim,
Um teste de Q.I.
Ou Beatles
Na voz da Rita Lee.
Loucuras de Gaudí,
Couvert com Biskuí
Ou o miolo doce
Do abacaxi.
Filmes de Woody Allen,
Filmes com Al Pacino,
Água com gás,
Cappuccino,
Bolhas de Pro Secco,
Rolhas de vinho tinto.
Espreguiçadeira pra dormir,
Restaurante indiano
Pra fugir.
Avenida Niemeyer
Pra gritar.
Tangerina,
Neosaldina,
Sorrisos de neném,
Fricotes de menina,
E a Michelle Pfeiffer também…
Muitas coisas que me fazem lembrar
Aquilo que eu nem sonho esquecer
Caixa com laço,
Abraço de palhaço.
Bandaid
No calcanhar
Canções do Bono
Rir, até chorar,
Na hora do sono.
Tiramisu,
Ironia,
Fla x Flu
E poesia.
Muitas coisas que não me deixam esquecer
Aquilo que não canso de lembrar.
Menino Jesus
De Praga.
Gérberas,
Girassóis,
Ninja,
Gueixa,
Docinho,
De ameixa
Do Mundo Verde
E tudo verde
Água de coco,
Anjo da Guarda,
Piada da Arara,
Piada
Do macarrão,
Orangotango, Urso
E leão.
Muitas coisas que me fazem te querer,
Muitas coisas que me fazem te amar.
Gavetas arrumadas,
Roupas combinadas,
Iogurtes
Saladas
Idéias desenhadas
Lingerie
Como são as coisas
Que te trazem aqui!
Telepatia,
Jeep e pôr-do-sol,
Surpresa,
Bombom de cereja,
Canecas pra cerveja.
Provérbios,
Homem-aranha,
Casquinha de siri,
Tudo isso faz você estar aqui.
Kahlua
E a lua
Que é da cor da tua pele
E me lembra você nua.
E as estrelas
Milhares
Como fossem os inúmeros
Olhares
Que trocamos.
Sem palavras,
Com palavras
Que integram,
Que entregam
Os momentos,
Os tormentos,
Os diversos sentimentos
Que senti.
Tantas coisas,
Belas coisas
Que te trazem
Novamente
Aqui.
Sabe aqueles dias
Em que todas as pessoas
São estranhas?
Em que você perde o rumo
Perde o sumo
Perde a calma
Vende a alma?
Sabe aqueles dias em que
Você deseja morrer
Ou ser argentino
E não se emocionar
Com o violino
Que traz lembranças?
Nesses dias
Eu escrevo um poema
Que não quer acabar
Pra falar de um amor
Que não vai acabar.
Nunca.

A Lua e o Poeta

Pobre lua
Que se deita, insone, nua,
Em seu leito, ao léu, na rua
Esperando a alvorada
Desesperada,
Coitada.
Quase apagada,
Não é mais que uma vela
E ainda assim revela,
Quando reflete na poça
O poeta e a moça,
A musa,
Que recusa
Viver o amor tão bonito
Que jamais fora escrito
Pelo poeta,
Aflito
Ao ver nos olhos da moça
Uma poça:
Lágrimas de orgulho
E, num mergulho,
O poeta tenta a sorte,
Escapa, por pouco, da morte
Afogado,
Minguante como a lua,
Pobre lua
Que, insone, deita nua
Sobre o poeta. Na rua.

Vida Colorida

Quero baldes de tinta.
Quero a minha estrada colorida
Com o amarelo do Vincent,
O azul do Pablo
E o vermelho da Frida.
Quero cor,
Quero amor,
Quero vida.
Quero despir-me o quanto antes,
Já nos próximos instantes,
Da alma ranzinza,
Feia,
Como roupa de cadeia,
Opaca, triste. Cinza.
Quero o sol, laranja,
Impressionante,
Ultrapassando, soberano,
O basculante
Enquanto tomo banho
E me livro do último resíduo,
Do desbotado indivíduo
Que não quero ser.
Quero novos olhos
Para ver, no mundo,
O que eu não conseguia.
O que a minha obtusa mente,
Já não percebia.
Quero novas cores.
Novos amores.
Quero alegria.

Grita!

Grita!
Mas não some.
Insulta, esperneia
Faz greve de fome,
Incendeia.
Mas fica!
Briga!
Perde a linha,
Diz que não é minha
E chora.
Só não vai embora.
Fica.
Fica
Porque pode ser que um dia,
Com a cabeça mais fria,
Você me explique
E eu entenda,
Peça desculpas,
Sele a fenda
Que nos separa.
Mas pára
Com essa mania
De todo dia
Querer sair
Quando se irrita.
Grita!
Mas não some…
Xinga, provoca,
Erra meu nome
Mas fica, não vai
Porque dói, como dói,
Quando um amor que se constrói
Cai.
Tenha a santa paciência,
Ou a puta indecência,
Tanto faz.
Não interessa,
E eu nem tenho pressa,
Eu só tenho a certeza
Que se você for embora,
A gente vai jogar fora
Um amor.
E jogar amor fora
É pecado.
E dos piores.
Olha, dias melhores
Virão.
Grita, reclama,
Diz que não me ama,
Mas larga essa mala no chão!

Talvez

Volta
Nem que seja pra mentir que estragamos tudo
Nem que seja pra exigir que eu fique mudo
Nem que seja pra falar o que eu não posso ouvir
Nem que seja pra não assumir…
…o amor…
Seja lá o que isso for
(Mas) Volta
E desvia o teu olhar do meu
Diz de novo que já me esqueceu
E tenta acreditar no que você me diz
E nas tantas teorias sobre ser feliz
Volta
E murmura que já desistiu
Ignora a canção do Gil
Explica que não dava mais
Porque eu roubei a tua paz!
Talvez,
Talvez você esteja certa
Mas por via das dúvidas
A porta vai ficar aberta…

(Pra você voltar…)

Soneto da Libertação

Nunca mais vou te dizer
Que és tudo o que preciso
Que não saberei viver
Por não ter o teu sorriso!

Teu olhar nada me diz
A partir deste momento.
As juras de amor que te fiz
Foram-se, agora, no vento!

O meu coração vazio
Ficou mais calmo, sereno
Sobreviveu ao teu frio…

Livrou-se do teu veneno
Seguirá novo, sadio
Em busca de um amor pleno!

Vuoto

Oggi io ti ho cercato nella moltitudine.
Tra i tanti che andavano,
Tanti che venivano,
Ho ricercato, attento,
Ansioso,
Una luminosità
Che potesse denunziare il tuo sguardo
La tua presenza.
Ho atteso che la brezza del mare
Portasse, rinvolta,
Come regalo,
Il tuo profumo.
In mezzo alle voci e rumori
Del cotidiano affrettato
Ho tentato sentire
La piú semplice
Manifestazione della tua voce…
Ma tu non ti sei fatta vedere.
E, per rincontrarmi con te,
Ancora una volta
Ho mosso tutto quello
Che é nostro
Che ho mantenuto guardato
Dentro me.

Sorbonne

Filha da puta,
Pára e me escuta
Porque eu te amo,
Caralho.
Como é que você não percebe,
Parece até que não bebe!!!
Tão insensível, obtusa…
Vê se entende de uma vez
Essa merda toda,
O mundo que se foda,
Porque eu te quero,
Porra!
Mas, antes que eu morra,
Porque depois não adianta…
Defunto não beija,
Presunto não abraça…
Se eu morrer, fodeu, já era…
Você senta e espera..
Aí só na próxima!
E se você sair do inferno,
Que é pra onde vai
Quem fode
Com a vida dos outros.
Até quando vai durar
Esse faz-de-conta
De que está feliz?
Olha na minha cara, caralho,
E me diz!
Porque eu duvido!
Larga esse fodido
Que não te merece.
Porque eu não agüento mais essa
Merda na minha garganta,
Me sufocando.
Vê se presta atenção,
Deixa de ser burra,
Você merecia uma surra,
Mas não bato em mulher.
Ainda mais a que eu amo,
A que eu venero.
Se o problema é tempo,
Eu espero,
Mas me diz até quando,
Pra não parecer que está
Cagando
Pra essa coisa bonita
Que eu trago no peito
E chamo de amor.