Keep Walking! –
Disse-me Johnnie
Embalado pelo solo
Do saxofone
Meio rouco,
Meio louco.
Pouca luz…
Talvez isso tudo seja mesmo
Blues.
E eu aqui.
Dentro de mim,
Além do exagerado teor
De bebida
Que anestesia,
Entorpece,
Há um monte de coisas bonitas
Que a gente não esquece
E quer dizer, a qualquer custo,
Que sente.
Então,
Quando acabar de ler este poema,
Saiba que ele foi escrito,
Com o que há de mais bonito
Daquilo que sente um homem.
Todas as mágoas somem,
As angústias se vão
E fica apenas o amor de sempre,
Sincero,
No coração.
Vão embora a dor
E a frustração.
E o que toma meu pensamento
E, agora, eu digo
É que eu só queria você aqui,
Comigo.
Porque eu te amo!
Segurando a tua mão,
Escutaria, então,
Um mais doce,
Menos aflito,
Grito
Do oxidado saxofone.
Keep walking!
Diria, pra gente, o Johnnie.
Categoria: Mas Larga Essa Mala no Chão!
Meus Poetas
A me proteger da tua
Indelicada frieza,
E inexplicável escassez
De caráter,
Apenas o exército de poetas
De versos,
Diversos,
Contundentes,
Estrondosos,
Que invoco, em apuros.
Quando a solidão,
Cruel carrasco,
Me enforca,
Salvam-me as palavras
De Garcia Lorca,
Que traz consigo sempre
A inestimável ajuda
De seu amigo de língua,
Pablo Neruda.
Cecília Meireles, meu escudo,
Contra teu ódio, indiferença,
Quase tudo,
Não abandona a luta.
É guerreira,
Como os heróis de trincheira,
Mário de Andrade
E Bandeira.
E o que seria de mim
Sem Fernando Pessoa
Que, às vezes disfarçado,
É incansável, é valente,
Ao meu lado.
Se desprezado,
Quase sucumbo ao ataque,
Mas rogo,
Pela força de Bilac,
Que não foge
À mais violenta
Das batalhas.
Quando a tristeza é
Mais forte
E, já beirando a morte,
Rendo-me e
Sinto saudade,
Curam-me os poemas
De Carlos Drummond de Andrade.
Sá-Carneiro, amigo,
Tantas vezes abrigo
Do perene perigo
Da sala vazia.
Do calor que nos unia,
Perigosos resquícios…
Prontamente eliminados,
Por Vinícius.
De Shakespeare, os sonetos,
Poderosos amuletos,
Para a guerra
Pela vida.
Injusta vida
Longe de ti.
Estilhaços de dúvidas e a incerteza,
Se invadem a fortaleza
Em que me escondo,
Num ato hediondo,
Levam-me ao chão.
Febril, não mantenho o controle
Da mente
Novamente
Insana
Mas guia-me ao meu leito,
Mário Quintana.
Hosana!
O breve murmúrio
De um homem
De luto,
Cansado da luta.
Quem escuta?
Quem ampara esse
Pobre poeta que já nem sabe o que quer?
Manoel de Barros, Gonçalves Dias
E Charles Baudelaire!
Vivo, assim, eu, pois, melhor que ti!
O poeta por mais que sofra, sorri!
Tu, com teu silêncio
Inescrupuloso,
Orgulhoso,
Teimoso,
Desastroso,
Viras cárcere,
Condenada por Camões,
Que te leva aos porões.
Menotti Del Picchia te tranca,
Bocage insulta,
E Florbela espanca!
Feminina
Em um rosto de menina,
Um sorriso de mulher,
Um olhar que me ilumina
E a boca que não me quer
Num corpo de mulher,
Segredos de uma menina
Me transformam em voyeur
De um belo que fascina
A mulher me enlouquece,
Seu perfume me domina,
Sua presença me aquece
E me lembra a menina…
A menina que me acalma
Num dia triste qualquer.
Me fala coisas com a alma
E me lembra da mulher
A menina encantadora…
A mulher da minha vida…
Numa face a protetora
E na outra, a protegida.
A mulher que me seduz.
A menina? Me dá carinho.
Uma é a minha luz
A outra, o meu caminho.
Quero a mulher e a menina,
Quero tudo que puder…
Quero a paixão genuína.
Quero a menina e a mulher!
Hoje
Hoje foi um daqueles dias
Em que você vem, não sei de onde,
Escancara as portas cerradas,
Seladas,
Geladas,
Do meu pensamento,
Olha nos meus olhos em rápido
Movimento,
Sem-cerimônia,
Sem perguntar se é o melhor
Momento
Para ficar.
E fica.
Deitada na espreguiçadeira
De velha madeira.
O dia inteiro,
Para meu completo, cruel e Indiscreto
Desespero
De quem não esperava visita,
De quem se preparou para estar só.
E sem ação,
Nem opção.
Fico sem voz,
Voz, voz…
Como eu sabia!
Eu não devia
Ter escutado o Gilmour…
Tão convincente,
De jeito manso, amigo
E eloqüente…
Eu perguntando uma razão – só uma –
Para existir
E ele veio com aquela história
De Wish You Were Here.
E agora?
Eu não consigo mandar você
Embora,
Fico olhando,
Querendo pegar no colo,
Pedir ao Roger mais um solo
E, antes do último acorde,
Acordar você
Com um beijo
E um abraço…
Meu Deus, o que eu faço
Para essa mulher sair do meu pensamento
Para invadir, tomar de assalto
Meu apartamento,
Acabar de uma vez com essa parcimônia
De carinhos,
Pegar a minha mão,
Me entregar seu coração
Para sempre?
Meu Deus, o que eu faço
Para que hoje
Seja passado?
E distante.
Fui Feliz
Já fui feliz
Já tive beijos
Tive sorrisos
Já tive abraços
Tivemos sonhos
Tivemos laços
Tivemos tempo
E mil motivos
Pra estarmos vivos
Vivermos juntos
Tantos suspiros
Tantos assuntos
Tantas histórias
Tantas memórias
Tantos planos e poesias.
E muito amor. Amor.
Agora vivo (ou sobrevivo)
Sem notícias
Sem carícias
Sem contato, sem tato
Sem nenhum sentido
Não faz sentido
Ficar sentido
Ficar sentado
Nesse estado
De desespero
De desatino
Que nem menino
Abandonado.
Apavorado,
Apaixonado.
Me dá um beijo
Dá um sorriso
Me dá um abraço.
Me faz feliz.
Sonetinho
Eu quero tanto segurar a tua mão
Que chego a tropeçar na ansiedade
E derramo, espalhando pelo chão,
A minha, já escassa, sanidade.
E, louco, em delírios, eu te vejo
Em jardins em que, outrora, nós andamos.
Te encontro e, de súbito, te beijo…
Na loucura, novamente, nos amamos.
Quero criar com toda essa loucura
Um novo e certo ponto de partida…
Fazer desses delírios nossa cura
Pra essa, então, desesperada vida
E deixar a paz que tanto se procura
Vir com a paixão, agora, renascida.
Linda!
Lindo é o poema de amor
Se lindo é o amor do poeta
Que não cria, Interpreta
Palavras que se ocultam
Nos doces modos da musa.
O poeta não faz nada
Além de garimpar
A sua doce amada.
Cada olhar, sorriso.
Cada gesto
Num instante, torna-se
O mais puro manifesto
De amor.
Linda é a poesia
Se linda é a musa, que cria
A cada instante,
Dia-a-dia…
As palavras
Que o poeta escreve,
Mas não se atreve
A inventar…
Os versos, o poeta respira,
E vêm da musa, que transpira,
Sedução,
Ternura,
Paixão.
Linda é a tua poesia,
Porque linda tu és…
Porque louco por ti é o poeta,
Que tu tens aos teus pés!
Perdida mente
Estou perdido
E, olhando nos seus olhos,
Busco sentido
Pra tudo aquilo que até agora julguei
Ter aprendido
Mas nada sei.
Nem mesmo posso explicar o que se passa
No meu peito
Cada vez que você passa
Como um furacão
Que não derruba casas
Mas enche de asas
A imaginação
Deste poeta
De coração Incerto,
Inseguro,
Rodeado, escondido
Por um muro
De pedras.
Com medo de amar.
Não sei dizer o que eu sinto…
Mas se disser que é nada,
Minto.
É muito mais que nada,
É quase tudo…
Tão forte, tão bonito,
Que nem acredito
E fico mudo…
Temendo te assustar,
Te afastar,
Te perder.
Estou perdido…
E sem coragem para achar o caminho
Até você.
Até sua boca.
O que que eu faço?
Se já não escondo mais minhas vontades?
Se já não controlo mais os meus desejos?
Se já não deixo de pensar nos teus carinhos?
Nem nos teus beijos…
Estou perdido.
E a única mensagem de socorro
Que me vem em mente
É gritar que eu te quero
Perdidamente!
Meio sem Jeito
Fecho meus olhos
E enxergo os teus:
É sonho.
Penso em teus lábios
Encontrando os meus:
Desejo.
Se amo-te
Não sei dizer-te.
É desigual
O que sinto agora,
De tudo aquilo
Que senti outrora.
O teu toque
Me devolve a paz.
Teu sorriso
Traz minha alegria,
Tua voz
É a melodia
Que enche meu peito
De um bem-querer
Tão incomum.
Cada abraço teu
Traz-me certeza,
Necessidade
De mais um.
O teu sorriso
Faz o meu sorriso,
É perfeito,
É do jeito
Que eu preciso
Pra viver.
Se amo-te?
Penso que sim.
Mas tenho medo.
E, para ser sincero,
Não encontro a forma
De dizer-te
Que te quero…
Sente. E mente.
Não sei se tudo o que sinto
Em teu íntimo tu sentes
Mas, por defesa, tu mentes
Pensando que, antes, eu minto.
Ou talvez tu nada sintas
E só quem sente sou eu…
E se o sentimento é só meu
Não há razão pra que mintas.
E se nem mentes nem sentes
Lá se vai a minha crença
Que não via diferença
Em expressões diferentes.
Quero crer, então, que sentes
Exatamente o que eu sinto.
Melhor seguir meu instinto
Do que ter atos prudentes.
