Ainda

Não consegui te esquecer,
Nem mesmo sei se tentei,
Por tanto tempo chorei…
Quem sabe, quero sofrer?
Talvez, amanhã, eu te esqueça
Mas hoje, no pensamento,
Vou viver cada momento
Por mais duro que pareça.
Cada beijo, cada olhar,
Cada instante bonito
Que parecia infinito
Mas que solveu-se no ar

Lembro, claro, do teu rosto,
Da tua pele, teu riso,
Do teu querer indeciso.
Sinto, de novo, teu gosto,
Teu cheiro.
Tua boca na minha,
Minha mão sobre a tua
E quando te deixei nua?
Aquele frio na espinha…
O teu jeito charmoso
De querer mais carinho
E o suspiro baixinho
Ritmando teu gozo,
Esquecer?
Sei, é possível…
Mas desistir de tentar
Pra sempre te conquistar,
É inadmissível!

Moça na Foto

Eu me perdi nesse teu olhar
Doce e sereno.
Sinto-me tolo, frágil e
Tão pequeno,
Um menino,
Entregue à vontade soberana
Do destino.
Eu sei…
É só um retrato…
Mas o que sinto é mais
Que poesia,
Fantasia,
É fato.
É mais que alegria,
Euforia,
É raro.
É tão bonito,
Que o que eu penso em dizer-te
Deve ser dito:
Eu te amo!
Mesmo tão distante,
Já neste instante,
Eu amo.
Pensam que mal te conheço,
Mas já absorvi-te
Até o avesso…
E pago o alto preço
De dizer-te que te amo
Mesmo antes
De tocar teu rosto,
Sentir, nos teus lábios,
O teu gosto
E abandonar de vez o meu juízo
Pela conquista da jóia mais rara, preciosa…
O teu sorriso.

Palavra

Me dá tua palavra
Qualquer palavra
Eu quero o som
Sussurro ou grito
Que algo seja dito
Pela boca
Amada
Beijada
Hoje calada
Qualquer palavra

Eu quero aproximação
Eu quero a próxima ação
(Que não seja o fim!)
Que seja o sim
Que seja o som
Das palavras

Parece absurdo
Mas estou ficando surdo
De tanto que não escuto
A tua voz
Tuas palavras
Eu quero o som

Que tudo fique claro
Quando você disser
Que tudo fique, claro,
Como Deus quiser.

Quero Tanto

Quero viver todo dia do teu lado
Muito feliz porque sou teu namorado
Quero passar o sábado no edredom
Te ouvindo ler os versos do Drummond
Quero acabar meu sorvete de casquinha
Sem você nem ter saído da provinha
Quero andar de mãos dadas, distraído
(E ser saudado pelo desconhecido)
Quero te ver pedindo saladinhas
Só pra depois engordar com lajotinhas
(E passar a semana reclamando
Mas gastar as calorias me amando)
Quero bater papo sobre o U2
E, pra implicar, comparar com o Pato Fu
Quero ficar calado dias inteiros
Pra não te atrapalhar em teus roteiros
Quero fazer um risotto diferente
E servir num jantar chique, só pra gente
Quero dar a volta ao mundo contigo
E ser pra sempre o seu melhor amigo
Quero guardar rolhas, fósforos, momentos
Quero aplaudir de pé os teus talentos
Quero entregar meu sono nos teus braços
E ilustrar meus sonhos com os teus traços
Quero você em paz comigo. Mais nada.
Quero você pra minha namorada.

no teu tempo

Te amo incondicionalmente
Mas tenho medo de que isso te agrida
E te imploro desesperadamente:
Nunca te sintas presa à minha vida.

Tu és livre e é livre que te amo.
Presa és triste… o mundo tão medonho.
Sorri sempre! Atenta ao que clamo:
Não tenhas pesadelo com meu sonho.

O amor é lindo, eterno, cristalino
Quando respeita os dois (e cada um).
Para entender o amor genuíno:
Se não é bom pra ambos, não é pra nenhum!

Por isso, muito além do sentimento
Olho para o tempo o tempo inteiro
E respeito muito, linda, teu momento.
Antes de amante, sou teu companheiro.

Não vamos mais viver tantos tormentos
Sei que o que sinto não é passageiro…
Mas só matando as dores, os sofrimentos,
Para o amor não ser mais prisioneiro.

Onipresença

Mesmo tão distante,
Tão presente…
Se me distraio um instante
Não mais que de repente
Você aparece
E, sempre que acontece,
Tudo se renova,
Tudo põe à prova
O que quero crer.
Há sempre alguém
Para falar seu nome,
Para lembrar seu jeito,
Citar suas palavras.
Há sempre uma pergunta,
Sempre alguém que junta,
Tantos retalhos.
Muitos atalhos
Até você.
E tudo gira em torno –
Em belo contorno –
Da sua silhueta
Projetada na parede,
Saciando a sede
Que a saudade causa.
Uma breve pausa
No distanciamento,
No meu sofrimento.
Um raro momento,
Para sorrir.
Frágil miragem!
Rápida viagem
Ao passado.
(O que eu fiz de errado?)
Mas há algo de bem triste
Nisto que insiste
Em me possuir.
Quando volto a mim,
Eu só vejo o fim.
Eu só sinto a dor.

Machuca

O que mais machuca
Não é a distância,
A ignorância
Sobre a tua vida.
Não são os golpes precisos
Das más lembranças.
Nem das boas.
Não é pisar nos cacos
De cada sonho
Destruído.
Não é ser estrangulado,
Sufocado
Pelas mãos frias, firmes,
Implacáveis
Do fracasso.
Não é ser pisoteado por um
Exército impiedoso de
Dúvidas.
Não é ser queimado vivo
Pela inquisidora paixão
Que ainda sinto.
Não é ser lentamente torturado
Pelo meu amor próprio e
Pelo meu próprio amor
Que um dia vi nascer, pequeno e indefeso,
E criei.
Não é ter que engolir a seco
Todas as pedras que eu mesmo atirei.
Não é ter meu ego extirpado.
Nem é ver minha alma
Violentada no cárcere.
O que mais machuca, meu amor,
São os profundos lanhos
Dessa navalha afiada
Do teu silêncio.

Te Amo

Um milhão de vezes,
Te amo.
Me humilhando às vezes,
Te amo.
Em toda circunstância,
Te amo.
E a qualquer distância,
Te amo.

Te amo porque amo amar-te.
Te amo e desejo desejar-te.
Te amo por inteiro. Cada parte.
Te amo. Insaciável em saciar-te.

Te amo com amor puro. Inocente.
Te amo com amor puto. Indecente.

Te amo. E para sempre te amarei.
Mas nunca me perguntes como sei,
Porque não sei. Eu só sonhei
Te amar para sempre. Como sempre amei.

Sabe o que me espanta?

Sabe o que me espanta?
É que eu tento tudo
E nada adianta.
É você que ainda
Continua linda
Em todos os cantos
Do meu pensamento.
Por mais que eu mereça,
Por mais que eu conheça,
Milhares de
Mulheres
Melhores
É você que eu amo.

Amo os seus olhos
Que enxergam em mim
Tantos defeitos.
Amo seus seios,
Deslumbrantes, perfeitos,
Esculpidos por Michelangelo.
Amo sua boca,
Berço do sorriso
Mais maravilhoso
Que eu já pude ver.

Amo a sua mão
Que, com a minha mão,
Fez a comunhão
Mais honesta, mais correta,
Mais justa,
Que eu conheci.

Amo o seu perfume,
Amo o seu gosto,
Sua simples existência,
Sua inteligência,
Rara,
Quintessência.
Amo o seu charme
Que desequilibra
Porque embriaga.

Amo o seu abraço
E o seu beijo.

Amo a sua voz
E, às vezes,
Seu atroz
Jeito de Leão.

Amo, quando você se entrega,
Sua alma desnuda,
Linda,
Como um verso de Neruda.

Sabe, o que me espanta
É tudo o que me encanta,
E cada dia mais,
Em você.

Ridículo

Ridículo
É como me sinto
Diante deste teu, parece, instinto
De me condenar
Ao ostracismo
Me empurrar
No abismo
Da solidão.
Não é possível
Que estejas insensível
A perceber
Aquele nosso amor maiúsculo,
Hoje tão ralo, crepúsculo,
Inerte músculo
Que padece
Que carece
Do menor carinho
Pra viver.
Abre teus olhos,
Abre teu peito,
Deixa pra trás o que foi feito
E começa o novo,
De novo.
Eu errei,
E, talvez, tenhas errado
Mas nunca o bastante
Pra não querer-te um instante
Ao meu lado.
Deixa de orgulho!
Pelo amor de Deus,
Muitos dos teus sonhos
Também são meus.
Vamos vivê-los,
Vamos aquecê-los
Com aquele amor
Ardente,
Verdadeiro,
Transparente
Que um dia nos uniu.
Faz tanto tempo que eu
Nem te vejo
E ainda é presente o desejo
De beijar a tua boca.
Já tentei te esquecer,
Te amaldiçoei.
Mas tudo de concreto
Que aconteceu
Foi ter que abrir a porta pro amor
Que não morreu.
E recebê-lo aqui,
Nessa apertada solitária…
Eu com ele, nesse escuro cubículo,
Me sentindo triste, turvo
E ridículo.