Onde está essa mulher
Que, há muito, em meus sonhos habita,
Que faz de mim o que quer,
Me encanta, me envolve, me excita?
Com lábios que me enlouquecem
Com olhos que me atiçam
Com braços que me aquecem
Com seios que me enfeitiçam
Sem medo de ser feliz
Sem pudor de ser mulher
Sem complicar o que diz
Sem reprimir o que quer
Com mãos que me acariciam
Com palavras que me prendem
Com beijos que me saciam
Com lágrimas que me rendem
Sem manias e sem vícios
Sem traumas e sem pavores
Sem manhas ou artifícios
Sem saudosos amores
Com o perfume que eu quero
Com o sabor que eu adoro
Com formas que eu venero
Com tudo por que imploro.
Autor: Marcelo Almeida
Serenidade
Serenidade:
Palavra perdida no espaço
Saiu sem olhar pra trás,
Ligeira, apertando o passo
Não deu notícias.
Jamais.
Serena idade?
Tolo, imaginei-me aos trinta
Calmo, tranqüilo e maduro
Desilusão fez que eu me sinta
Bem mais frágil.
Inseguro.
Serenidade,
Por que tu foste embora?
Volta pra cá, por favor
Acalma meu peito que chora
Porque é vazio de amor.
És
Doce, meiga e delicada,
Alegre, irônica, inteligente,
Tranqüila, bem-humorada, T
ímida, irreverente.
Teimosa, precisa, adorável,
Esperta, calma, instintiva,
Colorida, indecifrável,
Incrivelmente criativa!
Verdadeira, sensível,
Engraçada, correta, de paz,
Compreensiva, imprevisível,
Controlada até demais!
Curiosa, obstinada,
Persistente, difícil,
Ansiosa, iluminada,
Especial desde o início!
Fofa, comunicativa,
Diferente, dengosa,
Rara, introspectiva,
Exageradamente charmosa!
Pura, desconcertante,
(E, agora, mais presuntinha…)
Suave, apaixonante
Linda e, claro, minha!
N. do A.: Presuntinha é uma brincadeira, particular, com mais uma qualidade: presunçosa.
Como?
Ah! Se eu ousasse dizer…
Se eu conseguisse expressar…
Talvez tentando escrever…
Ou, quem sabe, cantar…
Mas a coragem escasseia
A timidez me domina
O meu medo me cerceia
Me prende e desanima
Como saberás, então?
Se o sentimento não digo
Me terás como um irmão
Apenas um bom amigo…
E o que sinto é em vão
Pois a ti eu não declamo
Ao segurar tua mão
Não te digo que te amo…
Soneto do Ex-poeta
Já faz quase uma hora
Que eu só consigo rimar
Amor que se foi embora
Com amor que não quer voltar
A dor que dói no meu peito
Dói também no meu caderno
Não acho um verso perfeito
Nem tenho um amor eterno.
Perdi o dom da escrita
Que era o meu ganha-pão
Perdi a moça bonita
Perdi com ela a paixão
E a esperança infinita
Que enchiam o meu coração.
Carolina
Carolina,
Doce amiga,
Mais que amiga,
Mais que doce.
Se fosse,
Carolina, uma flor,
Seria um amor-perfeito
Que eu usaria no peito,
No terno,
Pra mostrar o amor eterno,
De amigo,
Que eu trago sempre comigo,
Para dar pra Carolina
Do colo que me acolhe,
Me nina.
Menina,
Do abraço
Que me aquece,
Da palavra que me ensina.
Minha fortaleza,
De rara beleza,
Sorriso que me acalma
E alma
Cristalina.
Esse foi de presente pra minha grande amiga Carolina Senna.
Ana
Ana.
Goiana.
Se diz mundana
Se faz profana
Com nome de santa.
Dança a Taranta
E entra em transe.
Profundo.
E ganha o mundo.
Ana.
Veneziana.
Impaciente.
Indecente.
Coxas expostas
E as costas.
Ana.
Balzaquiana.
Adolescente.
Envolvente.
Entre a doçura de Cecília
E o erotismo de Miller.
Ana.
Capricorniana.
Para Ana, que pediu poema. E jamais vi.
O que dar de presente
O que dar de presente
Pra uma mulher diferente –
Que é gêmea da primavera?
Eu não sei o que ela espera
Mas tenho pouco pra dar…
Alguns mal traçados versos
Ou uns sonetos dispersos
Que se recusam a rimar…
Não tenho eu competência
Para fazer reverência
Com minhas toscas palavras
Pra uma mulher tão bonita
Que traz um brilho no olhar
E um sorriso nos lábios
Que fazem a gente sonhar.
Ela traz todas as cores
E o perfume das flores
De uma nova estação.
Ela desperta amores
E acaba com as dores
Do meu pobre coração.
O que que eu dou de presente
Pra essa mulher diferente
Que é irmã da primavera?
É bem melhor nem tentar
Pra não deixar descontente
Pois se ela for exigente,
Não tenho nada pra dar.
Presente de aniversário, pra minha amiga Vanessa Buchheim
