Hoje

Hoje foi um daqueles dias
Em que você vem, não sei de onde,
Escancara as portas cerradas,
Seladas,
Geladas,
Do meu pensamento,
Olha nos meus olhos em rápido
Movimento,
Sem-cerimônia,
Sem perguntar se é o melhor
Momento
Para ficar.
E fica.
Deitada na espreguiçadeira
De velha madeira.
O dia inteiro,
Para meu completo, cruel e Indiscreto
Desespero
De quem não esperava visita,
De quem se preparou para estar só.
E sem ação,
Nem opção.
Fico sem voz,
Voz, voz…
Como eu sabia!
Eu não devia
Ter escutado o Gilmour…
Tão convincente,
De jeito manso, amigo
E eloqüente…
Eu perguntando uma razão – só uma –
Para existir
E ele veio com aquela história
De Wish You Were Here.
E agora?
Eu não consigo mandar você
Embora,
Fico olhando,
Querendo pegar no colo,
Pedir ao Roger mais um solo
E, antes do último acorde,
Acordar você
Com um beijo
E um abraço…
Meu Deus, o que eu faço
Para essa mulher sair do meu pensamento
Para invadir, tomar de assalto
Meu apartamento,
Acabar de uma vez com essa parcimônia
De carinhos,
Pegar a minha mão,
Me entregar seu coração
Para sempre?
Meu Deus, o que eu faço
Para que hoje
Seja passado?
E distante.

Fui Feliz

Já fui feliz
Já tive beijos
Tive sorrisos
Já tive abraços
Tivemos sonhos
Tivemos laços
Tivemos tempo
E mil motivos
Pra estarmos vivos
Vivermos juntos
Tantos suspiros
Tantos assuntos
Tantas histórias
Tantas memórias
Tantos planos e poesias.
E muito amor. Amor.
Agora vivo (ou sobrevivo)
Sem notícias
Sem carícias
Sem contato, sem tato
Sem nenhum sentido
Não faz sentido
Ficar sentido
Ficar sentado
Nesse estado
De desespero
De desatino
Que nem menino
Abandonado.
Apavorado,
Apaixonado.
Me dá um beijo
Dá um sorriso
Me dá um abraço.
Me faz feliz.