hoje escutei tua voz

hoje escutei tua voz.
e isso me basta.
é a força imensurável
que me arrasta,
que me empurra
toda vez que você fala,
canta,
ou sussurra.

me faz tão bem
me encanta,
me renova.
e me mantém.

hoje escutei tua voz.
dia de sorte.
perdi meu medo.
encontrei meu norte.
atendi vazio,
desliguei mais forte.

o dia ficou mais bonito.
e tirei da gaveta
com a minha caneta
a perspectiva do infinito.

escrevo, de novo,
versos, estrofes. e trovas.
palavras em forma de provas
de uma liberdade
irrevogável.

mão, que pertenceu à algema
transforma tinta
em poema.
solta.

livre da saudade,
o mais terrível,
o mas temível
algoz.
a vida volta a ser linda.
porque escutei tua voz.

a folha em branco

a folha de papel,
aguarda, pálida,
o carinho da pena.
que seja verdadeira,
que minta,
mas que encha seus poros
de tinta.
que conte histórias
de heróis,
de vitórias.

ou que entregue segredos.
que a pena,
firme entre os dedos,
seja indiscreta,
e revele, em versos,
a paixão do poeta.

a folha em branco,
aguarda em paz,
a carta de amor, a fala do ator,
tanto faz.

ela só quer atenção.
e espera calada,
lisa ou pautada,
pela inspiração.

por favor, sorri.

por favor, sorri.

porque sempre que isso acontece,
o calor do teu sol me aquece,
e velhos versos guardados,
se abraçam em poemas alados
que partem, ganhando o mundo,
levando o amor mais profundo
que alguém já pode sentir.

por favor, sorri.

porque toda vez que sorris,
eu escuto a voz que me diz
pra eu falar o que estava engasgado
que, se é correto ou errado,
mais errado é tentar esconder.
só com o tempo é que vamos saber.
vou viver pra depois descobrir.

por favor, sorri.

porque sempre que te vejo sorrindo,
meu olhar se veste, mais lindo,
iluminado, em paz. e em cores.
meu deserto se enche de flores.
e quando acaba o meu dia,
é tamanha a minha alegria.
e eu também me ponho a sorrir.

por favor, sorri…

teu abraço

não há jeito. não há distância.
não há o que se possa fazer
pra obrigar-me a esquecer
a fragrância,
o frescor suave
do teu abraço.

é a chave,
é o laço,
que envolve o presente
(mesmo se estás ausente)
com tantas memórias.

algumas derrotas.
muitas vitórias.

não existe fronteira
que afaste.
não existe besteira
que desgaste
o amor verdadeiro.

é amor genuíno.
no meu peito de homem,
um amor de menino.
suave,
ingênuo.
cristalino.

pra mudar o destino,
não existe receita
nem jogada perfeita.

só existe viver.

só existe sonhar.

e é isso que eu faço,
cada vez que te abraço,
e encurto a distância.

e respiro a fragrância
que alimenta,
que sustenta,
a minha alma.